Santiago | O caminho
No post anterior falei de toda a preparação para fazer o Caminho de Santiago.
Planear, escolher etapas, marcar alojamentos, pensar na mochila, nos ténis, na roupa, na alimentação… enfim, tudo aquilo que uma pessoa controladora e ansiosa por natureza consegue controlar antes de sair de casa.
Mas há uma coisa que não se consegue planear: o Caminho propriamente dito!
E foi aí que começou a verdadeira aventura.
Mas há uma coisa que não se consegue planear: o Caminho propriamente dito!
E foi aí que começou a verdadeira aventura.
Começámos em Valença do Minho, nas muralhas, com a sensação de que estávamos mesmo a começar qualquer coisa importante. Acho que começar em Portugal teve um significado especial. Estávamos ali, junto à fronteira, e sabíamos que, a partir daquele momento, era só seguir as setas amarelas.
E seguimos.
E seguimos.
No primeiro dia, confesso que estava muito entusiasmada.
Também estava convencida de que tinha tudo muito bem pensado e que, portanto, nada podia correr mal.
É claro que isto é uma ilusão.
O Caminho rapidamente nos mostrou que, apesar de todas as etapas estarem planeadas, há coisas que não dependem de nós.
Há o calor.
Há as subidas.
Há as descidas.
Há pedras.
Há estradas.
Há momentos em que parece que já andámos 20 quilómetros e, quando olhamos para o telemóvel, percebemos que ainda só fizemos 7.
E há aquela pergunta que começa a aparecer algures a meio do caminho:
"Mas porque é que eu me meti nisto?"
Felizmente, passa.
É claro que isto é uma ilusão.
O Caminho rapidamente nos mostrou que, apesar de todas as etapas estarem planeadas, há coisas que não dependem de nós.
Há o calor.
Há as subidas.
Há as descidas.
Há pedras.
Há estradas.
Há momentos em que parece que já andámos 20 quilómetros e, quando olhamos para o telemóvel, percebemos que ainda só fizemos 7.
E há aquela pergunta que começa a aparecer algures a meio do caminho:
"Mas porque é que eu me meti nisto?"
Felizmente, passa.
Porque aparece uma sombra, uma fonte de água, uma paragem para comer qualquer coisa e passa.
As primeiras etapas foram também uma espécie de adaptação. O corpo começou a perceber o que estava a acontecer e nós começámos a perceber que caminhar todos os dias é diferente de fazer uma caminhada ocasional.
Não é só andar.
É acordar e saber que naquele dia vamos voltar a andar.
É tomar o pequeno-almoço e pensar nos quilómetros que temos pela frente.
É sair com a mochila às costas.
É começar devagar.
É ganhar ritmo.
É parar para beber água.
É olhar para o caminho e pensar que ainda falta muito.
E depois, sem percebermos muito bem como, já falta menos.
Uma das coisas de que mais gostei foi precisamente essa sensação de progressão.
Todos os dias havia um ponto de partida e um ponto de chegada.
E entre os dois havia quilómetros. Muitos quilómetros.
Não é só andar.
É acordar e saber que naquele dia vamos voltar a andar.
É tomar o pequeno-almoço e pensar nos quilómetros que temos pela frente.
É sair com a mochila às costas.
É começar devagar.
É ganhar ritmo.
É parar para beber água.
É olhar para o caminho e pensar que ainda falta muito.
E depois, sem percebermos muito bem como, já falta menos.
Uma das coisas de que mais gostei foi precisamente essa sensação de progressão.
Todos os dias havia um ponto de partida e um ponto de chegada.
E entre os dois havia quilómetros. Muitos quilómetros.
Vimos paisagens lindíssimas, pequenas aldeias, campos, florestas, igrejas, cafés, fontes e aquelas setas amarelas que, depois de alguns dias, já procurávamos quase instintivamente. E pessoas!
Pessoas que não conhecíamos e que, de repente, passavam a fazer parte do nosso dia.
Algumas cruzavam-se connosco várias vezes. Encontrávamo-nos numa subida, depois num café, mais tarde numa aldeia e, eventualmente, chegávamos ao mesmo destino.
Havia sempre um "Buen Camino!".
Às vezes era só isso.
Outras vezes havia uma conversa.
De onde vêm?
Onde começaram?
Quantos dias vão fazer?
Onde vão ficar?
E, inevitavelmente:
"Quanto falta?"
É engraçado como, no Caminho, falar com desconhecidos parece muito mais natural.
Talvez porque todos estamos a fazer exatamente a mesma coisa.
Todos estamos a caminhar. Todos estamos cansados. Todos temos uma mochila às costas. E todos temos uma meta. A meta!
Também gostei muito da forma como o Caminho nos obriga a abrandar.
Nós, que vivemos sempre com pressa, de repente passamos horas a caminhar.
Não há muito mais para fazer.
Caminhamos.
Observamos.
Pensamos.
Conversamos.
Ou não pensamos em nada. E a desapegar. Viver apenas com o que está dentro da mochila!
E acho que isso foi uma das melhores partes.
Houve momentos em que fui simplesmente a andar, sem estar preocupada com o que tinha para fazer a seguir, com o que tinha acontecido antes ou com o que iria acontecer no dia seguinte.
Era só aquele momento.
Aquele caminho.
Aquele quilómetro.
E talvez seja por isso que, apesar do cansaço, o Caminho acaba por ser tão especial.
Porque nos obriga a estar presentes.
Também houve momentos menos bonitos, claro.
Houve cansaço. Houve dores. Houve alturas em que os pés já não queriam colaborar.
Houve vontade de chegar ao alojamento, tomar banho e não voltar a sair. E houve dias em que a distância parecia maior do que realmente era.
Mas havia sempre uma coisa curiosa: chegávamos ao fim da etapa e o cansaço começava a transformar-se em satisfação.
"Conseguimos."
Era só aquele momento.
Aquele caminho.
Aquele quilómetro.
E talvez seja por isso que, apesar do cansaço, o Caminho acaba por ser tão especial.
Porque nos obriga a estar presentes.
Também houve momentos menos bonitos, claro.
Houve cansaço. Houve dores. Houve alturas em que os pés já não queriam colaborar.
Houve vontade de chegar ao alojamento, tomar banho e não voltar a sair. E houve dias em que a distância parecia maior do que realmente era.
Mas havia sempre uma coisa curiosa: chegávamos ao fim da etapa e o cansaço começava a transformar-se em satisfação.
"Conseguimos."
E no dia seguinte lá estávamos nós outra vez.
Até que chegou a última etapa.
Padrón – Santiago.
E aí já havia uma sensação diferente.
Sabíamos que estávamos quase a chegar.
As pernas estavam cansadas, mas a cabeça já estava na Catedral.
Começámos a encontrar cada vez mais peregrinos.
A cidade aproximava-se.
E, de repente, depois de tantos quilómetros, tantas setas amarelas, tantas horas a caminhar, começámos a ver a Catedral.
É difícil explicar a sensação.
Porque não é apenas chegar a Santiago.
É chegar depois de termos começado em Valença.
É olhar para trás e pensar em todos os quilómetros que ficaram para trás.
É perceber que aquilo que parecia tão distante, alguns dias antes, agora está mesmo ali.
E claro que houve fotografia.
Muitas fotografias.
Porque uma pessoa pode estar cansada, mas não pode chegar à Catedral sem registar o momento.
Até que chegou a última etapa.
Padrón – Santiago.
E aí já havia uma sensação diferente.
Sabíamos que estávamos quase a chegar.
As pernas estavam cansadas, mas a cabeça já estava na Catedral.
Começámos a encontrar cada vez mais peregrinos.
A cidade aproximava-se.
E, de repente, depois de tantos quilómetros, tantas setas amarelas, tantas horas a caminhar, começámos a ver a Catedral.
É difícil explicar a sensação.
Porque não é apenas chegar a Santiago.
É chegar depois de termos começado em Valença.
É olhar para trás e pensar em todos os quilómetros que ficaram para trás.
É perceber que aquilo que parecia tão distante, alguns dias antes, agora está mesmo ali.
E claro que houve fotografia.
Muitas fotografias.
Porque uma pessoa pode estar cansada, mas não pode chegar à Catedral sem registar o momento.
Vestida a rigor! Obviamente!
E depois há a Compostela.
Outro momento especial.
Não sei se o Caminho mudou a minha vida.
Não tive uma epifania.
Não voltei uma pessoa completamente diferente.
Mas acho que também não era isso que procurava.
Para mim, o Caminho foi sobretudo uma experiência.
Uma experiência de sair da rotina, de caminhar, de estar ao ar livre, de conhecer lugares novos e de passar alguns dias com um ritmo completamente diferente daquele a que estou habituada.
Foi também perceber que conseguimos fazer mais do que aquilo que, às vezes, pensamos conseguir.
Que uma etapa que parece longa acaba por chegar ao fim.
Que uma subida acaba.
Que uma dor passa.
Que, quando parece que ainda falta imenso, afinal já fizemos uma grande parte.
E talvez esta seja uma das melhores coisas que trouxe do Caminho.
Que uma subida acaba.
Que uma dor passa.
Que, quando parece que ainda falta imenso, afinal já fizemos uma grande parte.
E talvez esta seja uma das melhores coisas que trouxe do Caminho.
Como diz Jorge Palma:
"Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar"
Buen Camino!


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